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Epidemiologia do vitiligo

O vitiligo é a leucodermia adquirida mais frequente. Estima-se que sua prevalência na população mundial varie entre 0,5 e 2%.
Entretanto, alguns estudos realizados com base em inquéritos à população têm mostrado que esse valor foi superestimado. Lu et al. avaliaram 42.833 pessoas na província de Shaanxi, na China, onde a prevalência do vitiligo foi de 0,093%. Outros estudos evidenciaram prevalência de 0,36% na Dinamarca, 0,46% em Calcutá, 0,33% na Líbia, 0,5-1% nas Antilhas Francesas, e 0,74% nos  Estados Unidos.
De acordo com Halder e Chappell, a doença geralmente começa na infância ou na idade adulta jovem, com um pico de início entre 10-30 anos. Tal referência é corroborada por Zhang  et al. e Liu et  al. na China,  e Onunu e Kubeyinje na Nigéria, em estudos com grande casuística.
Cerca de 50% dos casos se iniciam antes dos 20 anos de vida e 25% antes dos 10 anos, conforme relatos de Silva et al., Halder et al. e Shah et al., e seu aparecimento pode ser precoce, existindo alguns relatos de casos com início nos primeiros seis meses de idade.
Ambos os sexos são igualmente afetados, segundo Nordlund e Majumder, porém uma preponderância do sexo feminino tem sido relatada.
Alkhateeb et al. e Halder e Chappell supõem  que essa discrepância possa ser potencialmente enviesada em estudos ambulatoriais, devido à maior preocupação estética por pacientes mulheres, o que levaria à maior procura por atendimento especializado.
Todas as raças são afetadas pela doença, não havendo estudos que evidenciem maior prevalência mundial de determinada etnia ou fototipo de pele. Os resultados mais comumente encontrados em publicações anteriores foram diretamente proporcionais ao fototipo ou etnia predominante em determinada região ou país.  Taieb e Picardo, por exemplo, num estudo europeu, identificaram predomínio do Fototipo 3 de Fitzpatrick, enquanto  Alkhateeb et al. realizaram um estudo na América do Norte e no Reino Unido, e relataram maior prevalência da doença no grupo étnico caucasiano, caracterizado pelos fototipos 1, 2 e 3.
As lesões de vitiligo acometem mais comumente a face, pescoço, e áreas sujeitas a traumatismo contínuo, especialmente as proeminências ósseas das mãos, antebraços e pés, embora possam aparecer em qualquer lugar, incluindo as membranas mucosas.
O local de surgimento da primeira lesão é pouco avaliado em estudos clínico-epidemiólógicos prévios, sendo mais comuns relatos sobre as regiões anatômicas mais frequentemente acometidas. Dentre os poucos estudos na Turquia,  observaram que o local mais comum de aparecimento foi nos membros superiores, enquanto Akrem et al., na Tunísia, relataram que os membros inferiores foram o sítio inicial de surgimento na maioria dos pacientes.
Clinicamente, o vitiligo pode ser classificado, segundo Koga em segmentar e não-segmentar, sendo consensual na literatura o predomínio do vitiligo nãosegmentar.
Em estudos recentes, Shah et al., na Índia, por exemplo, relataram que 92,5% dos pacientes apresentavam formas não segmentares da doença, em concordância com Liu et al., na China, que descreveram  acometimento de 90,0% dos pacientes pelo vitiligo não-segmentar. 
Quanto ao caráter evolutivo da doença, estudos ambulatoriais geralmente relatam maior prevalência do vitiligo com evolução instável, sendo este um dos principais motivos de o paciente procurar auxílio médico. Hann et al., na Coréia do Sul, observaram progressão da doença em 88,8% dos casos, e Shah et al. , em 65.59%. Alguns fatores foram considerados preditivos para a progressão do vitiligo, como tempo de duração da doença, estresse emocional, associação com outras comorbidades, queimaduras graves e gravidez, embora necessitem de mais estudos comprobatórios.

Distúrbios psíquicos e traumas físicos

Distúrbios psíquicos e traumas físicos são usualmente atribuídos como predisponentes ao surgimento de lesões de vitiligo. Segundo Nogueira et al., estudos variados demonstram que aproximadamente 7,2% dos pacientes associam o início da doença com algum distúrbio emocional, enquanto Mattoo et al., na Índia, relataram que 25% dos pacientes apresentavam alguma morbidade psiquiátrica associada.
O aparecimento de lesões desencadeadas por traumatismos físicos (fenômeno de Koebner) foi descrito em proporções que variam de 21 a 60% dos pacientes com vitiligo, conforme casuística observada por  Steiner et al. em seu artigo de revisão. Dados corroborativos recentes foram apresentados por Taieb e Picardo e Birlea et al., na Romênia, ao relatarem presença do fenômeno de Koebner em 30% e 39% dos casos,  respectivamente. 


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